Antigo Brasileirinho nunca foi Casa de Fundição de Ouro de Paranaguá

Reportagem trouxe o prédio do antigo Brasileirinho como sendo a casa de Fundição – Foto-Reprodução

No sábado passado a reportagem da Globo via ESTÚDIO C, intitulada A história da descoberta do Ouro no Litoral”,me deixou perplexo como parnanguara e, mais ainda, como jornalista, diante de certa desinformação a respeito de nossa história. Algo grotesco.

Não sei quem passou para ela, mas percebi que Francisco Carlos Fanine entrou no assunto e, creio ter sido a fonte de que nossa Casa de Fundição de Ouro, a 3ª do Brasil/Império, foi o prédio onde funcionou o antigo Brasileirinho e, naquela época, tão somente uma Casa de Ferragem.    

A repórter no ex-Brasileirinho com Francisco que deve ter sido a fonte do assunto – Foto-Reprodução

Aquele prédio nunca foi a Casa de Fundição, conforme prova registro do renomado historiador Antonio Vieira dos Santos, no trecho do seu livro “Memória Histórica de Paranaguá”.

A página 61 traz exatamente a data, que não bate com a da reportagem (1.670) e o local da Casa de Fundição de Ouro. Ou seja, criada em “1697 na rua do Colégio” (atual Museu de Arqueologia e Etnologia), e próxima da cadeia da época, o atual Mercado do Café.

Trecho do livro “Memória Histórica de Paranaguá”, traz local e data da Casa de Fundição

O historiador informa ainda, que cabia à ela “fundir (o que Narine diz na reportagem que não era feito) e quintar o que se tirasse de nossas minas, dos Campos de Curitiba, dos Gerais e São José dos Pinhais”.  

Como parnanguara apaixonado que sou, sabia desta informação há décadas por um motivo muito simples e lógico; o prédio histórico não seria relegado ao esquecimento, diante de sua importância e qualquer parnanguara saberia disto.

Nenhuma placa identificando, nenhum outro registro de fácil acesso a não ser dos historiadores, nenhuma informação nos portais oficiais do município, Estado ou União. Até no Google ou o não tão confiável Wikipedia teria essa informação.

Como profissional de informação minha perplexidade se deu por conta de a equipe visitar o Instituto Histórico Geográfico de Paranaguá (IHGP), fonte pura de nossa história de quase 90 anos e, lá ter acesso a informação real de onde teria sido a Casa Fundição e, mesmo assim, dar essa enorme barrigada.

Reportagem no IHGP, que tem 90 anos de registro de nossa história, inclusive esta – Foto-Reprodução

Até porque o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (IHGP), Luiz Cézar Rodrigues, o Cezinha, me falou que a reportagem do Estúdio C foi feita em dois momentos e, em nenhum momento disseram ao IHGP o seu teor.

“Somente foi filmada em nosso prédio por causa de serem mencionadas por nosso orador e colaborador, o diretor da parte jurídica, Alessandro Pires Staniscia”, disse Cezinha.

E disse mais, lembrou que Staniscia informou “que o Pelourinho nunca foi onde os escravos eram açoitados”, mas uma símbolo de Justiça, de uma cidade ou Capitania, mas na chamada da edição, no letreiros diz totalmente o contrário que eram onde os escravos eram penalizados.

Pediu ainda que deixasse claro que a equipe do Programa da Rede Globo, Estúdio C, “jamais nos consultou sobre a localização da Casa de Fundição do Ouro”.

Justamente por essa razão, mesmo como jornalista aposentado que sou, recorri ao meu blog para que isso não se tornasse uma verdade histórica.

Sinceramente não entendi.

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2 Comments

  1. Gilson Roberto Gonçalves 28 de julho de 2021
    • Gilberto Fernandes 28 de julho de 2021

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