Golias com Covid se matando na operação portuária!

A Estiva não pode deixar de ser Golias por culpa de seus comandantes – Reprodução das redes sociais

Não precisa ser religioso para saber da famosa passagem bíblica da luta do pequeno Davi contra o gigante Golias, derrotado por apenas uma boa e certeira pedrada na testa.

Ao longo da história, muitos Golias surgiram em todos os setores da sociedade, alguns terríveis e outros poucos que se fizeram necessários para condições de melhorias na vida do povo.

No entanto, muitos desses terríveis ganharam logomarcas poderosas, formaram ditaduras e até mesmo monopólios de mercado e serviços.

E com nossa cidade não foi diferente.

Temos o Golias na operação portuária, no sistema de retaguarda, seja no transporte de cargas como armazenamento ou até mesmo na mão de obra especializada.

É justamente sobre a mão de obra que trago, hoje, uma reflexão para quem atende na faixa do cais e navios.

Antes de José Carlos Aleluia assinar a pioneira Lei dos Portos, 8630/93, a operação portuária e seu suporte era formada por sindicatos que poderiam ser considerados verdadeiros Golias do bem, atrapalhados e desorganizados, sim, mas do bem.

Eles viveram os tempos de glória, como o Sindicato dos Ensacadores, que chegou a lavar bicicleta com cerveja, reza a lenda da faixa primária, muro adentro do porto.

Tínhamos mais do que um Golias, tínhamos gigantes como o Sindicato dos Conferentes, que teve até quem intitulasse como os engenheiros da operação portuária. E não podemos esquecer da Estiva! Com o seu poderoso contingente de milhares de trabalhadores.

Na sequência, havia os Golias do Consertadores, Vigias e Arrumadores, e tínhamos, também, o primo pobre da faixa, conhecido como Bloco.

A considerada draconiana Lei dos Portos pelos agora trabalhadores portuários avulsos, corrigiu as trapalhadas e organizou o sistema de trabalho, acabando com a tal “galinha”, “correr quarto” e o excesso nas fainas.

Eram as gigantescas “galinhas dos ovos de ouro” pondo ordem no bagunçado galinheiro e fazendo valer, também, seu interesse por mais grãos, cocho e “ouro”, é claro.

Passaram exatos 20 anos e como o “legado de Aleluia” ainda não estava de acordo com que se pensou em 1993, fez-se a cesariana da 12.815/2013, com direito a decreto regulador. E foi assim que gigantes e Golias da faixa começaram a adoecer.

O primeiro a morrer desta doença foi o Conferentes, que praticamente perdeu 100% a carga granel, sempre evitou aumentar sua força supletiva e, quando o fez, foi uma coisa pavorosa, que não rendeu 15% dos 138 que tentaram.

Hoje com cerca de 70 homens, tornou-se um Rei Davi sem a funda morteira e, embora ainda conte com certa ajuda da galinha de ovos de ouro que se tornou mais forte e poderosa que os heróis da Marvel, caminha a passos largos para a extinção.

Estrategicamente ­(e para garantir sua sobrevivência) os Consertadores se fundiram com os Vigias Portuários, mas nem longe lembram mais o Golias que um dia foram.

O Bloco se segura com a multifunção e consegue se manter na ativa, se reinventando e seguindo atuante, enquanto os Arrumadores, um ex-Golias que já ostentou a segunda maior força sindical da faixa, atualmente, não chega a 500 homens.

Finalmente, a Estiva, que deixou de ser gigante e, hoje é um Golias com Covid-19 (felizmente ainda não foi entubado, no entanto, conta com uma cúpula de negacionistas que não aceitam vacinas) vem se matando sozinha, sem qualquer interferência da poderosa galinha de ovos de ouro da Marvel.

Com a responsabilidade de ser a última a apagar a luz do sindicalismo na faixa portuária, a Estiva vive seu pior momento desde o “Fora Petraglia” e “Movimento Pro-Paranaguá” de 2004, que pôs quase todo mundo no buraco.

E este caos emerge justamente da própria base, por quem deveria resistir contra sua extinção. Na contramão dos objetivos comuns da legislação, hoje, quem deveria lutar e conviver em harmonia por quem o escala e paga, investe no confronto, na arrogância e na falta de diálogo?

Parece a história do poste urinando no cachorro.

Enquanto não se derem conta de que a lei exige convivência pacífica e harmoniosa, tal qual os três poderes no país, quem vai pagar a conta é o trabalhador e sua família.

Por isso, pare um instante para refletir e mudar de postura.

Receba notícias em seu email

Assine nossa newsletter

Obrigado por se cadastrar

Ops. Algo deu errado...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: