Incompetência, grosseria e falta de diálogo evitam que mais R$ 1,5 milhão entre nos cofres da Estiva em 2021

Estivadores deixaram de cerca de R$ 1.5 milhão com o Fundo Social até o momento – Portos do Paraná – Claudio Neves

Dos males o menor na virada dos anos 90 na faixa portuária, com o nascimento da Lei 8.630/93, colocando um fim na gerência da mão de obra avulsa pelas direções sindicais, foi que ela teve como cordão umbilical a negociação entre o trabalhador portuário e os empresários do setor.

Duas décadas depois, a referida Lei acaba, se reinventa e volta como Lei 12.815/13 que, felizmente, manteve seu elo embrionário, o diálogo franco, cordial e aberto nas mesas de negociações para as tratativas de uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) ou um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Desde então, as lideranças sindicais, com toda sua experiência na oferta da melhor mão de obra dos Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs) no país, buscaram boa assessoria, com expertise no setor para orientar e elaborar boas minutas para negociação com os operadores portuários.

Mesmo com uma ou outra limitação negocial de alguns presidentes ao longo destes 28 anos, os jurídicos que, de fato, conhecem e atuam essa área, se tornaram parceiros e soldados na mesa de negociação. Razão pelo qual, muitos deles estão a décadas ao lado dos TPAs.

Mas neste ano, o presidente da Estiva, Izaias Junior, na contramão deste processo de quase três décadas está fechando seu 1º ano de gestão, deixando de levar para os cofres do sindicato e ao bolso dos estivadores cerca de R$ 1,5 milhão, só de 5 meses sem receber o Fundo Social.

Cobri por 22 anos o sindicalismo na faixa portuária. Aprendi muito com as mais diversas lideranças sindicais, inclusive com o saudoso Izaias Vicente da Silva e, em minha opinião, isso decorre pela notória incompetência, grosseria e falta de diálogo do atual presidente da Estiva.

NÃO VI EM MANIFESTAÇÕES E NA ESTIVA

Como dito, tive a oportunidade e o prazer de contar com um bom relacionamento e uma forte amizade com o pai de Izaias Junior que, por sinal, só conheci no ano passado. Mas confesso que jamais o vi nos movimentos e manifestações da Estiva e da Intersindical, pois o conheci como candidato em 2020, vencendo seu adversário por um golpe de sorte e alicerçado no nome do seu saudoso pai.

Não preciso aqui resgatar os motivos que me levam ter essa opinião a respeito da pessoa do atual presidente e de todo o prejuízo que a atual diretoria da Estiva vem acumulando em detrimento da entidade e de seus associados, principalmente pela falta de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho e dos Acordos Coletivos ainda não negociados.

Também não preciso aqui repetir que, para encobrir toda a sua incompetência, e desviar o foco da categoria nas confusões que ele mesmo vem criando e fazendo em todos os setores, chegou a produzir o factoide do tal “Vaza Porto”, que o MPT, Gepatria/Litoral e MPPR negaram existir denúncia.

Fora o fiasco nas mesas de negociações, também não vale a pena repetir sua tentativa de se vitimizar, quer na dificuldade de negociar a renovação do plano de saúde coletivo da categoria; dificuldade que ele mesmo criou e também no repasse de sua culpa pela renovação do plano com cláusula de break even, que ele mesmo solicitou e assinou.

Especificamente neste ponto relacionado ao Plano de Saúde coletivo da categoria, tomei conhecimento que o Diretor de Assistência Social, o Departamento Jurídico e a Diretoria Executiva da Estiva assinaram ao aditivo contratual em 23/07/2021, por livre vontade e concluíram reconhecendo suas assinaturas em cartório, dando legitimidade.  

Pior que soube ainda que, a diretoria teve pleno conhecimento quando a sinistralidade do uso do Plano ultrapassou o percentual de 70% da clausula do break even, e mesmo assim continuaram, sem autorização da categoria, a deixar correr o excedente do break even, o que deveria ser feito somente com autorização em Assembleia, para poder estabelecer o teto de gastos, com a consequente autorização individual de cada estivador. O que não aconteceu. É muito amadorismo. Na verdade, é muita incompetência e total desconhecimento administrativo de uma gestão sindical.

Não dá para acreditar que o Jurídico da Estiva não tenha orientado a Diretoria e deixaram que a coisa rolasse solta.

NUNCA VI TANTA INCOMPETÊNCIA

O Sindicato dos Estivadores de Paranaguá se destaca por ser uma entidade histórica, composto por diversos membros que alcançaram destaque em nossa cidade.

Se trata de uma entidade que foi administrada por líderes sindicais reconhecidos nacionalmente, possuindo grande influência no movimento sindical portuário brasileiro.

E é justamente por toda essa história que ficamos totalmente sem palavras quando nos deparamos com o cenário atual que o sindicato se encontra.

A atual diretoria do Sindicato é tão incompetente a ponto de não convocar assembleia geral da categoria para tratar da previsão orçamentária da entidade para o exercício de 2022.

Um assunto da maior importância, pois se trata do orçamento da entidade; o que poderá ser gasto durante o ano de 2022.

Pois é! Parece até piada, mas não é.

É pura falta de conhecimento na dinâmica de uma administração sindical. Lamentavelmente, é a triste realidade que o Sindicato da Estiva vive atualmente.

Compete a Diretoria do Sindicato organizar e elaborar a previsão orçamentária, submetendo-se à deliberação da assembleia geral. Está lá no Estatuto do Sindicato. É competência da diretoria. E também tem as penalidades por violação ao estatuto. 

A partir de janeiro de 2022 creio que a atual diretoria não poderá mais administrar o sindicato, pois sequer tem uma previsão de gastos aprovada pela categoria 

A Estiva de Paranaguá, em toda a sua história, nunca teve tão mal representada, e tão mal administrada como se encontra atualmente.

ATÉ O MPT DESISTIU DA MEDIAÇÃO DA CCT

Fui me atualizar sobre a questão da renovação da Convenção Coletiva de trabalho, onde a categoria segue deixando de receber aproximadamente cerca de R$ 300 mil ao mês, só de Fundo Social, e me surpreendi ao saber que até o Ministério Público do Trabalho (MPT) desistiu de mediar a negociação com o SINDOP.

Soube que o MPT instaurou procedimento de mediação para tentativa de negociação da renovação da CCT com o SINDOP e até foram realizadas duas audiências, mas diante do impasse entre as partes, o MPT decidiu encerrar a mediação.

E porque será desistiu?

Será que a tal “dificuldade de negociar”, tão alegada pelo atual Presidente desde o início do mandato agora vai se estender ao MPT também, e vem aí agora um “Vaza MPT”?

Tive conhecimento que a Diretoria da Estiva vem insistindo em situações já consolidadas juridicamente, ou seja, insiste em discutir a quebra da trava (intervalo entre as jornadas de trabalho), acabar com as 4 chamadas, acabar com as listas de especialistas e instituir um novo Fundo Social. Talvez um novo fundo para descontar o que foi perdido até agora?

E mais, Izaias Junior quer ainda aumento de equipes de trabalho, quer reajustes nas taxas e salários em percentuais muito superiores à inflação e de forma retroativa.

E porque retroativa? Para consertar a mancada da CCT já vencida?

E nessa lunática condução a atual diretoria da Estiva já causa um prejuízo quase que milionário aos seus associados, pois somente a reposição inflacionária que a categoria tem direito já ultrapassa o percentual de mais de 17% para a CCT, mais de 20% para o ACT da Fospar, e mais de 21% para o ACT do TCP.

CATEGORIA APONTANDO ERROS

Fato é que a má e desastrada gestão de Izaias Junior está sendo criticada até mesmo pela própria categoria. Soube de um associado que chegou a fazer uma “Lista de erros da gestão Izaias Jr”, que aponta muitas das falhas já indicadas por este jornalista e, até mesmo coisas que não sabia e agora trago aqui, se é ou não verdade não sei dizer. Vejam:

– Empregaram um monte de parentes no sindicato;

– Tem diretor que não tira plantão no ponto de embarque;

– O nosso diretor que nos representa junto ao Ogmo não entra no mesmo;

– Diretoria que não tira plantão a noite na Clínica;

– Aumentaram seus salários a título de vale refeição;

– Presidente que está proibido de entrar na faixa portuária;

– Presidente que não consegue sentar numa mesa de negociação nem para cobrar o índice inflacionário;

No final, o associado dispara “se tudo isso não é incompetência eu não entendo mais nada”.

VIGIAS PORTUÁRIOS, ARRUMADORES E SINDOP; O EXEMPLO

Para encerrar minha última manifestação do ano neste assunto, quero aqui destacar o que li em duas reportagens do JB Litoral desta semana, o exemplo que Izaias Junior, sua diretoria e seu setor jurídico deveriam seguir a partir de 2022 numa negociação.

Os dois sindicatos coirmãos (Arrumadores e Vigias Portuários) estão com as suas Convenções Coletivas renovadas, e no caso específico dos Arrumadores, recentemente foi renovado o ACT com o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), firmado inclusive com ganhos significativos para os trabalhadores.

E o Presidente do SINDOP até opinou sobre essas duas negociações, destacando a competência e o diálogo do presidente Oziel Felisbino e do secretário Eliel Teodoro e do presidente dos Vigias e da Intersindical, Marcos Ventura Alves nestas negociações. CLIQUE ABAIXO E LEIA.

CCT dos Vígias Portuários com Sindop

CCT dos Arrumadores com Sindop e ACT com TCP

O OUTRO LADO

Na minha primeira postagem, sendo o profissional que fui por mais de 41 anos, abri espaço para diretoria se manifestar e, para isso, bastava me comunicar, o que poderia ser feito no dia seguinte a postagem.

Mas ignoraram a oportunidade e, com a prepotência de quem se acha dono da verdade, a diretoria enviou um esclarecimento de 19 páginas para ser inserida na íntegra, o que não o fiz. Assim ela mesma, seguindo na prepotência, usou seu portal para postar.

Desta vez, darei novamente a oportunidade de se manifestarem, mas tão somente no que não sei ser verdade ou não, da “Lista de Erros” divulgada pelo associado. Para isso, a diretoria e presidente terão até amanhã, dia 28, para comunicar este jornalista se irão ou não se manifestar.

A comunicação deverá ocorrer pelo endereço eletrônico [email protected] até às 9 horas desta terça-feira (28). Havendo interesse, após dar ciência na comunicação respondendo a confirmação de que esclarecerão, passarei o deadline para envio dos 7 pontos descritos na “Lista de Erros”.

Nada vindo no minuto seguinte ao horário programado para confirmar ou não os esclarecimentos, considerarei que não houve interesse.

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