Mazelas ao agronegócio em Santos não são diferentes das nossas

Porto carece de investimento na logística de acesso nos modais, rodoviário e ferroviário

Um artigo da colega Giovana Machado, feito na Tribuna de Santos no mês passado sobre o paradoxo da logística portuária destinada ao agronegócio no Portos de Santos, coube como uma luva para realidade do setor nos portos de Paranaguá e Antonina.

Guardadas as devidas proporções e regionalidade da movimentação de cargas nos dois estados, as mesmas mazelas que operadores portuários e armadores se deparam no acesso às Docas são sentidas no bolso de quem sente ainda na pele, o tal do Custo Brasil.

Sendo Paranaguá destino final de qualquer partida para o sul do Paraná pela BR-277 no modal rodoviário e refém da Rumo Logística no ferroviário, a necessidade de investimento nestes dois transportes está mofando nas gavetas dos governos, Federal e Estadual há décadas e, em no caso dos trilhos, passando do século.

Com o Governo Federal anunciando que, em 2021 e 2022, serão licitados 31 terminais portuários, com investimentos de R$ 5,6 bilhões, Paranaguá entrará nesta fatia do bolo e como comportar tudo isso com modais sucateados que j[a não atendem a demanda?

Na feliz contramão da falta de contrapartida aos empresários do agronegócio, a direção portuária nos últimos 20 anos, procurou fazer seu dever de casa, dentro das condições que lhe foram permitidas por organismos órgão ambientais oficiais, principalmente o COLIT e o antigo IAP, hoje, IAT.

Na gestão Requião, se acabou com o cortiço comercial, ao longo da Avenida Portuária, numa divisa com a área primária do porto para dar acesso a concretização das vias de acesso ao porto, infelizmente feito com qualidade não das melhores por cerca de R$ 20 milhões.

Paralelo a isso, o mesmo Governo do Estado, na gestão Beto Richa e Cida Borghetti, aumentou o prejuízo no escoamento das safras recordes do Paraná, pela morosidade institucional e criminal pela não manutenção e revitalização da própria concretagem e da Avenida Bento Rocha, elo do Pátio de Estacional com o porto.

Entretanto, o maior peso na balança contra a agilidade, competitividade e lucro do agronegócio ainda pesa nas costas do Governo Federal por conta da manutenção da BR-277, um gargalo que já estampou manchetes por filas, assaltos e prostituição infantil.

O tão necessário o acesso ao Pátio de Triagem, que ficou por anos no papel, só foi possível com viaduto Nelson Buffara, feito na atual gestão d governador Ratinho Junior.

Um empreendimento que enfrentou a burocracia e boa vontade da gestão pública e não esbarrou nas barreiras ambientais, que impediram a obra da estrada que ligaria o porto de Paranaguá com o de Antonina. O que resultaria numa melhor movimentação e no aumento de cargas para o Terminal Portuários da Ponta do Félix.

E na área privada, fruto da má gestão de concessão pública, a Rumo Logística, tem muito de sua parte de culpa com o monopólio do transporte ferroviário, sem investir, até hoje, em viadutos que cortam a cidade e, da mesma forma que complicam a população como um todo, não operacionaliza a chegada das cargas, quer no Corredor de Exportação, bem como nos armazéns da retro-área.

Agora a Klabin acena com a possiblidade de uma ferrovia que interligará a exportação de celulose dos palletes da fábrica até os convéns dos navios na faixa portuária. Se novamente, a incoerência e a falta de bom senso dos órgãos ambientais não vier a impedir.

Mais do que matar elefantes e leões para gerar renda, emprego e impostos, hoje, empresários do agronegócio, vem fazendo o papel do Poder Público, melhorando acessos para movimentação de suas cargas e, mesmo assim, até mesmo a manutenção é esquecida, por aqueles que deveriam fazer seu dever casa.

Neste embalo da carruagem do desenvolvimento, portos como o do Embocui e, até mesmo o encantado de Pontal do Paraná, deixam de ser opções aos armadores e sim necessidade de suporte logístico para o porto de Paranaguá e Antonina.

Mas como enfrentar o muro de resistência ao progresso que já está sendo armado de forma frenética?

Por isso espero que Agência Nacional de Transportes Terrestres justifique sua existência aliviando o bolso de quem faz este Brasil crescer e aumentando a expectativa de todos que atuam no agronegócio.

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