Nenhum vereador de partido fiel a Bolsonaro apoiou evento contra o STF

Dia 7 de Setembro no Posto Aldo. Nenhum vereador que integram partidos fieis na cidade participaram – Foto – Vinícius Araújo

Tenho dito muito nas redes sociais que nossa cidade, há anos, deixou de participar de movimentos contra ou favor de qualquer demanda, seja política, sindical e gestão pública.

Mobilizar movimentos sociais e uma população pacífica como a nossa, das duas uma; a bandeira tem que mexer com a subsistência de todas as classes sociais ou despertar ira geral.

Tive a oportunidade não só de participar como cobrir, as duas últimas em mais de duas décadas, por sinal, a mesma reivindicação; pedir a cabeça do superintendente do porto.

Foi épico e lindo de ver.

Eduardo Requião motivou a última mobilização que parou a cidade em 2004 pela sua desgastada gestão no porto. Foto – AEN

Lembrarei a última que já passa de 17 anos, o Movimento Pró-Paranaguá, que cobrou a saída do porto de Eduardo Requião, em 2004 e conseguiu unir tpas, operadores portuários, políticos e empresários, que não só fecharam suas portas, como subiram e falaram no caminhão.

Está que lideranças dos avulsos e operadores portuários foram quase todos presos, tiveram que se esconder, reuniões secretas do movimento no Palácio Visconde de Nácar e só escaparam depois de decisão no TRF-4 no Rio Grande do Sul.

Bons tempos.

Mas me perdoem a introdução longa, pois era necessário para explicar algo que muita gente aqui, que se acha liderança política, partidária de movimentos sociais e popular ainda não entenderam: mobilização de verdade ficou no passado.

Dito isso, vamos ao assunto de hoje que é a manifestação feita em favor do presidente Bolsonaro em nossa cidade no feriado dia 7 de setembro, visto pelos seus apoiadores como o da liberação do país, na verdade ainda não sei de quê.

Com cartazes e camisetas que faziam alusão aos ataques feitos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) – “SUPREMO é o povo” – e o slogan de campanha do presidente “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos“, a manifestação partiu do Aeroparque e concentrou no posto Aldo, liderados por um caminhão de lideranças.

SEM VEREADORES DOS PARTIDOS FIEIS

Mas como era o esperado, o movimento não mobilizou a cidade levando os números de 2018, quando o presidente recebeu dos parnanguaras, mais de 75% dos votos só no 1º turno, quase 60 mil votos. Soube que participaram cerca de 600 pessoas, ou seja, a 1% dos que ajudaram elegê-lo. Em 2004, só a carreata contou com quase 5 mil carros e a cidade parou.

Mas o que me chamou muito a atenção foi a ausência de todos os 10 vereadores que fazem de partidos que integram a base aliada fiel de Jair Bolsonaro na Câmara Federal.

Dos 24 que hoje representação, 12 tem sido 100% fiéis ao presidente. Os deputados dessas legendas votaram, de acordo com a orientação do líder do governo, em 90% das votações nominais.

E quais são esses partidos e seus vereadores locais?

PP (Vandecy, Kutz e Bruno), PSC (Waldir Leite e Leite Junior), PSL (Diniz), PSDB (Fábio), MDB (Adalberto), Republicanos (Edilson e Irineu), PL, PSD, PTB, Patriota, DEM e Novo.

Todas as fontes com quem falei, garantiram que nenhum deles estiveram.

E por incrível que pareça, soube que participaram apenas os vereadores Oseias Bisson (Podemos) e Isa Dias (PSB), que por sinal, esteve no caminhão e traduziu os discursos em LIBRAS.

Interessante que o partido da vereadora, na votação da PEC do voto impresso auditável, a orientação do PSB foi pelo “voto não” e dos 28 deputados, 17 atenderão a orientação partidária e ajudaram derrubar o voto impresso auditável, que o presidente tanto desejava.

Isa e Bisson, de partidos não considerado fieis a Bolsonaro, foram os únicos na manifestação do Dia 7- Fotos: Câmara Municipal de Paranaguá

QUESTÃO PESSOAL E PARTIDÁRIA

Em minha opinião, os que não foram devem ter entendido não se tratou de prestigiar o ato cívico histórico de nosso país, que pôs fim aos laços com Portugal.

Afinal, o movimento foi levantado por apoiadores e base política do presidente quase duas semanas antes e teve suas intenções amplamente debatidas na imprensa e rede sociais.

A ideia de apoiar o que foi considerado a tentativa de um golpe por diversos setores políticos e segmentos sociais, diante da suposta ameaça de invasão do Congresso e sede do STF, nada mais seria que concordar com crime de responsabilidade e atos antidemocráticos. Até porque, entre eles, estão advogados, pastores e professora.

Acredito que isso deve ter pesado na decisão dos vereadores em não participarem, no caso, ideologia pessoal. Porém, sendo atrelados aos partidos nos seus cargos, também devem seguir as orientações da cúpula nacional partidária e, neste caso, essa decisão pessoal poderá trazer reflexos em seus mandatos.

Por sua vez, não condeno e tampouco critico os dois vereadores que tiveram a coragem de apoiar e participar, mesmo não sendo dos 12 partidos fieis a Bolsonaro, portanto, sem qualquer risco partidário por suas decisões de caráter pessoal.

Mas que ficou estranho, isso ficou.

DIZ QUE FORAM, MAS NÃO ASSUMEM

Bastou esta postagem ganhar grupos das redes sociais e WhatsApp e internet para que, apoiadores e até um dos líderes da manifestação que lá estiveram, além das fontes que me passaram as informações, para gritar que mais dois vereadores locais também prestigiaram, além dos citados aqui.

Achei estranho, pois não há registro deles no Posto Aldo, onde ocorreu a manifestação contra o STF no Dia da Independência do Brasil, nas redes sociais e até mesmo em seus perfis no Facebook. Da mesma forma, desde que a postagem saiu, nenhum dos dois cobrou sua presença no evento para este jornalista, mas algumas pessoas garantiram sua presença.

Sempre fui um profissional de imprensa desprovido de qualquer vaidade e, deixei claro que, se eles provassem com fotos que lá estiverem e me enviasse, retificaria a informação.

Mas não deixarei meus leitores curiosos e costumo dar nomes de quem me refiro e, neste caso, os vereadores são Ezequias Maré (Podemos) e Edilson Caetano (Republicanos).

Deixei para trazer esta informação, nesta segunda-feira (13) acreditando que na sessão da Câmara os dois vereadores entrariam no assunto, não de me responder, mas falar de suas participações neste evento, o que provaria que lá estiveram.

Mas pasmem, nem abriram a boca sobre o que o grupo considerou uma “mega” manifestação.

O pastor Edilson Caetano é filiado a um dos 12 partidos fieis a Bolsonaro, enquanto Maré não – Fotos: Câmara Municipal de Paranaguá

SÓ EDILSON MUDA O FOCO

Levando em conta que Edison Caetano lá esteve, o que ainda não posso afirmar, apenas ele mudaria o foco desta postagem que foi a ausência quase total de vereadores que integram os 12 partidos fieis a Bolsonaro no evento.

Afinal, Maré sendo do Podemos, nada muda, pois não integra esse grupo que me motivou fazer a postagem.

Agora com Edilson teria de mudar, ao menos o título, que poderia ficar assim; “Apenas um vereador de partido fiel a Bolsonaro apoiou evento contra o STF”.

Mas dou por encerrada essa polêmica e não vou alterar nada, ambos tiveram tempo o suficiente para me comunicar e não o fizeram.

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